quinta-feira, 2 de maio de 2013

Síntese no conto "Laços de família" de Clarice Lispector


Depois de duas semanas de visita, Catarina levava a sua mãe para a estação, onde a senhora tomaria o trem. Elas estão no táxi. Catarina recorda-se do desconforto causado pela breve convivência entre a sua mãe e o seu marido. Catarina tinha vontade de rir. Ria então pelos olhos. A mãe desta jovem mulher chamava-se Severina, A severa mãe, em tom de desafio e acusação, lembrava o quanto o menino, seu neto, estava magro. Catarina concordava paciente. Antônio, esposo de Catarina e pai do menino nervoso, certa noite irritou-se com tais observações da sogra. De repente, uma freada do carro lançou as duas mulheres uma contra a outra, provocando entre elas uma brusca intimidade de corpos já esquecida. Não esqueci nada?”“, perguntava Severina pela terceira vez. Catarina nunca foi de muitos carinhos e intimidades com a mãe.  Muito achegada ao pai, cheia de beijos, abraços. Dentro do trem, como elas não tivessem o que dizer, a mãe retirou um espelho da bolsa. Quando a campainha da estação tocou, mãe e filha se olharam assustadas, chamando uma pela outra. Parecia que, todos aqueles anos, elas se tinham esquecendo-se de dizer algo, como: sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha. Mas não o disseram.
Mandaram lembranças para os parentes, e o trem se foi. Agora, sem a mãe, Catarina recuperava o seu modo firme de andar. Caminhar sozinha era mais fácil, nada a impediria de subir mais um degrau todo o Dias.
Catarina voltou para casa. Encontrou o marido na sala, lendo os jornais de sábado, o seu dia tomado de volta com a partida da sogra. O menino magro e nervoso estava no quarto. Procurando chamar a atenção do filho, a mãe sacudia uma toalha na sua frente. Foi quando pela primeira vez, o menino lhe disse: 'Mamãe', sem nada pedir, e num tom diferente do que usava antes. Alguma coisa se quebrara entre eles e Catarina estava extasiada. Tomou o seu filho pela mão e saíram para um passeio, deixando Antônio  na sala, sem saber aonde iam O homem dirigiu-se a janela e viu, já na calçada, a mulher e o filho. Ele olhava pela janela, a mulher andando depressa com o filho. Decidiu que depois do jantar iriam ao cinema. Depois do cinema, seria noite.
Imagem retirada: www.letrasmaleescrita.blogspot.com

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